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19-11-2004

12:35 PM

280/004 - BENEVENUTO CELLINI

GÊNIO IRREQUIETO ?

Escultor e ourives italiano nascido em 3 de novembro de 1500, pelo calendário juliano, uma terça feira, em Florença e falecido também em Florença em 1571. Aos 14 anos, inicia os estudos com o pintor Filippino Lippi, onde, conforme os parâmetros da Escola Florentina renascentista, enfatizava o desenho, o qual ,por conceito, era a base de toda obra de arte.

O desenho ditava o trabalho; ia desde o planejamento da obra, até o final, observando criteriosamente, todos os procedimentos, nos seus mais irrisórios detalhes. Seus últimos anos foram nostálgicos e solitários ; deixou todas as obras encontradas em seu estúdio para o filho do duque florentino Cosme I de Médicis, Francisco I.

"Perseu", obra ao lado esquerdo, uma das mais conhecidas e "badaladas", executada na Loggia dei Lanzi, atualmente no Museu Nacional de Florença, feita em bronze,  foi encomendada por Cosimo I de Médicis.

O famoso saleiro executado para Francisco I em ouro e ébano -1540-1543- estilo renascentista,  conserva-se no Museu de Viena (Kunsthistorische Museum), considerado pelos especialistas como sendo uma obra-prima de ourivesaria.

Conforme descrição do próprio Cellini, os personagens simbolizam a Água e a Terra entrelaçados, como representa a posição de ambos na peça. A figura masculina com o tridente na mão e os cavalos marinhos na base, identificam-se com Poseidon-Netuno, deus do mar. 

A figura feminina, Anfitrite,  está sentada sobre um coxim com a flor de lis, homenagem ao rei francês que encomendou a peça. Sobressai em sua base um elefante branco, também uma preferência do monarca. Está rodeado de figuras alegóricas, cujas posturas copiam as esculturas de Miguel Ângelo.

Do lado esquerdo, podemos apreciar a primeira grande escultura de Benvenuto Cellini, em bronze, encomendada por Francisco I, França, por volta de 1543 e 1544, representando Diana Cacciatrice, conhecida mundialmente como a "Ninfa", de Fontainebleau, atualmente no Museu do Louvre, Paris. Também, sem uma ilustração figurativa, podemos citar o "Crucifixo" (Escorial), e uma série de bustos, entre os quais os de Cosimo I e Bindo Altoviti. Medalhões em ouro talhado com cenas da mitologia grega, um botão para o manto do Papa Clemente VII , belíssimas moedas e jóias para a corte papal e vários nobres romanos; encomenda do Papa Paulo III de uma capa em ouro e pedras preciosas para o Livro de Orações, dado de presente ao Imperador Carlos V, fazem parte do admirável acervo desse grande artista. Cellini foi um artista notável, mas seu nome decerto estaria relegado a discreto segundo plano não fossem as Memórias, que começou a escrever doze anos antes da morte e onde, em linguagem até certo ponto grosseira, narra, com jactância sem igual, os diversos lances de sua existência. Escreveu também Tratado sobre Ourivesaria e Tratado sobre Escultura.
Várias personalidades, proeminentes ou não, expuseram a sua vida, seus projetos, feitos, filosofia de vida, através das chamadas autobiografias; todavia, conforme testemunhos dos mais confiáveis, para não ir muito além, apenas quatro foram dignas de registro: Santo Agostinho e Rousseau em suas "Confissões", Samuel Pepy em "Diário", e Benvenuto Cellini na sua antológica autobiografia.

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Cellini foi um artista notável, mas seu nome decerto estaria relegado a discreto segundo plano não fossem as Memórias, que começou a escrever doze anos antes da morte e onde, em linguagem até certo ponto grosseira, narra, com jactância sem igual, os diversos lances de sua existência. Escreveu também Tratado sobre Ourivesaria e Tratado sobre Escultura.

Incrível, até inverossímil, acreditar que um artista do seu quilate pudesse ter tido uma vida paralela, digna de um romance de aventura; sem o rigor de uma tradução juramentada, disponibilizamos aos nossos leitores, uma adaptação de F. Matania, que retrata de maneira elucidativa, as peripécias desse "Gênio Irrequieto".

A vida aventureira e tumultuosa de Benevenuto Cellini

O nome de Cellini é dos mais conhecidos, mas, em geral, o publico tem sobre ele conhecimentos vagos, incertos. Ouviu falar ou leu apenas referencias a suas primorosas obras de arte e aos "crimes", que lhe foram perdoados por papas, reis e outros potentados, por consideração a seu valor como artista. pouca gente conhece sua verdadeira biografia e os motivos, que concorreram para lhe dar carater aventureiro, desordenado.

Esses motivos começaram a surgir desde sua infância, nascidos do ambiente de Florença, onde a bem pouco consistentes e de um incidente mínimo mas que teve influencia decisiva em seus destino; um incidente em que agiram, de um lado, sua vocação, robusta, iressistivel; de outro, seu horror á musica - tal como lhe era imposta - e principalmente pelo instrumento, que o obrigavam a praticar e se tornou para ele odioso, a ponto de o levar a abandonar sua própria casa e sua família.

Benevenuto Cellini nasceu na cidade do Lyrio vermelho, no ano de 1500. Seu pai, Giovanni Cellini, era arquiteto mas tinha os preconceitos ou ambições enciclopédicas de sua época; deslumbrado pelo fulgurante renome de Miguel Ângelo Buanorrotti, que era, a um tempo, escultor, pintor e construtor ou o de Leonardo da Vinci, igualmente grande como pintor, matemático e mecânico, sonhava para seu filho uma sabedoria universal. O menino nascera artista; desde os primeiros anos apoderava-se de todos os lápis a seu alcance e desenhava, denunciando já a habilidade incomparável, que até hoje desafia a admiração do mundo; mas seu pai queria que ele fosse também musico e insistiu em lhe por nas mãos o único instrumento, que sabia tocar - uma flauta.

Benevenuto, absorvido por sua paixão pelas artes clássicas, relutou. Parecia-lhe monstruoso perder com um instrumento tão primitivo e desprovido de recursos o tempo, que julgava muito mais bem empregado no desenho, que o seduzia irresistivelmente, talvez porque já se sentia capaz de criar com ele maravilhas sem par. Então, com a teimosia e cegueira de muitos pais, que desconhecem o poder imenso da vocação e pretendem contrariá-la em seus filhos, impondo-lhes suas próprias preferências, o Sr. Giovanni submeteu Benevenuto ao seguinte regime: - só o deixava desenhar uma hora, depois que ele tivesse feito uma hora de exercício com a flauta.

Isso era para o menino um suplicio intolerável, a tal ponto que, para fugir a ele, manifestou, de súbito, grande desejo de trabalhar, ganhar dinheiro para prover as próprias despesas. Seu pai, que era pobre, concordou com essa aspiração e Benevenuto entrou como aprendiz para uma oficina de joalheiro, onde não tardou a revelar talento raro, deslumbrando seu próprio mestre. isso porem não logrou vencer a idéia fixa de seu pai e, á noite, voltando do trabalho pelo qual se apaixonara, o garoto era forçado á penitencia, que tanto o exasperava: um longo e fiscalizado solo de flauta.

Ocorreu então o inevitável. Benevenuto começou a juntar dinheiro, secretamente, para fugir de casa e até da cidade, pois não via outro meio de se libertar da insuportável mania musical de seu pai.

Um incidente muito vulgar no tempo e principalmente em Florença precipitou a realização desse projeto. Benevenuto tinha um irmão dois anos mais moço (Giuseppe) , que estava cursando a escola militar de Giovannino de Médici.

Vivia por isso num meio tradicionalmente belicoso, onde os duelos e rixas eram constantes. Um dia, uma questão pessoal desse futuro militar exigiu a intervenção de Benevenuto. Um colega batido em combate singular por Giuseppe mandou atacá-lo na rua por três sicários. O rapaz, atingido na cabeça por uma pedra, caiu sem sentidos.

Benevenuto, que assistira á cena de longe, precipitou-se, empunhou a espada, que caira da mão de seu irmão e enfrentou os agressores.

O primeiro caiu logo com o peito varado; os outros dois tentaram resistir, mas acabaram por fugir, ambos feridos.

Mas o mandante do assalto era aparentado á família poderosa. Benevenuto e seu irmão foram banidos e proibidos de viver a dez milhas de Florença durante seis meses.

Passado esse tempo, o artista voltou a Florença e verificou que seu pai, como se não contasse com seu regresso, havia dado suas roupas a Cecchino, seu terceiro irmão. Benevenuto exasperou-se com essa descortesia e resolveu abandonar para sempre o lar. Partiu e andou por varias cidades italianas, ganhando a vida com facilidade porque seus trabalhos de ourivesaria eram já excelentes e seu nome se tornara conhecido como o de um mestre. Uma enfermidade forçou-o a voltar a Florença. Ai recobrou a saúde e travou relações com o escultor Toregiani. Este, tendo logo a percepção do gênio de Cellini, Propôs-se a levá-lo á Inglaterra, onde estava certo de que encontraria gloria e fortuna; mas pouco depois, tendo sabido que fora Toregiani quem agredira Miguel Ângelo, causando-lhe o defeito, que deformou seu nariz, rompeu relações com o escultor, preferindo renunciar ao soberbo futuro, que este lhe oferecia, a dever um favor ao homem, que

- dizia ele - ousara erguer a mão contra o maior artista de todos os tempos.

Esse incidente dá bem idéia do carater impetuoso de Benevenuto e sua devoção pela arte, aos dezenove anos.

Saiu novamente de Florença, do modo mais temerário. Tornara-se amigo de um jovem gravador em madeira, chamado Tasso, que tinha grande desejo de ir à Roma, certo de que ali encontraria recursos para aprimorar seus méritos. Benevenuto resolveu acompanhá-lo. Para poupar o dinheiro de que dispunham partiram a pé, caminhando assim até Siena, onde chegaram; Benevenuto jovial e bem disposto, Tasso menos sólido, extenuado, com os pés inflamados pela fadiga e resolvido a voltar.

Benevenuto comprou um cavalo a um negociante que passava e disse:

- Então volta sozinho. Eu vou a Roma.

E já dava volta ao animal, quando o gravador correu atrás dele, suplicando que não o abandonasse.

Em Roma, durante cinco anos Cellini trabalhou e atingiu tal perfeição em sua arte que, a partir dessa época, tudo quanto saiu  de suas mãos pode ser considerado obra-prima e o próprio papa manifestou desejo de conhecê-lo. E Cellini tinha apenas vinte e quatro anos.

Em 1524, ele acolhe em sua casa um rapaz chamado Luigi Fulci, somente porque era neto do grande poeta do mesmo nome, doente, sujeito a invalidez periódica e sem recursos. Tornaram-se muito amigos, mas que valem afeições entre homens diante do olhar de uma mulher bonita?

Nessa época, Cellini estava apaixonado por uma formosa dama, chamada Pantasilia, que parecia também amá-lo, mas, ao mesmo tempo, mantinha flerte com um ricaço já idoso, o Sr. Bachiacca, com quem tinha a esperança de realizar um matrimonio.

Um dia, o artista organizou em sua casa uma pequena festa, para a qual convidou alguns dos mais notáveis artistas da Cidade Eterna. E, naturalmente, também Pantasilia. Por isso, Bachiacca arranjou meios e modos de comparecer também, levado por um amigo de Cellini. A despeito da presença de seus dois pretendentes, o rico e o artista, Pantasilia deixou-se impressionar por Luigi Pulci, que era de fato um garboso jovem e tais atenções lhe dispensou durante toda a refeição, que, não podendo conter a cólera, Cellini o intimou a deixar imediatamente sua casa.

Pulci saiu imediatamente; mas, passados alguns minutos, Cellini notou que também Pantasilia desaparecera do salão. Saiu arrebatadamente e pouco depois, ouvindo gritos na rua, todos correram á janela para ver o seguinte:

Luigi de Pulci, tendo deixado sua capa nas mãos do artista sem igual e parecendo ferido, montava no cavalo de um convidado para fugir, enquanto Pantasilia, erguendo com as duas mãos sua pesada saia de brocado, corria a se refugiar em uma capela próxima. Cellini voltou para o salão e sentou-se á mesa, continuando a beber com aparente calma; mas todos os convidados notaram que ele tinha a mão direita salpicada de sangue até o pulso.

Passaram-se dois meses e soube-se que Pulci, ferido a punhal num ombro, curara-se e partira para Pisa, afim de receber uma inesperada e providencial herança. Cellini rompera todas as relações com Pantasilia, porem mantinha vigilância em torno dela.

Um dia, uma criada subornada informou-o de que a dama leviana e pérfida estava fazendo preparativos para uma viagem. Isso o levou a ficar mais atento.

Certa madrugada, depois de haver passado a noite inteira oculto no vão de uma porta, próximo á casa de Pantasilia, o artista ouviu rumor de patas de cavalo e pouco depois viu Luigi, que chegava com uma escolta de doze cavaleiros armados... Doze...

Eram muitos para um só homem: mesmo quando esse homem era Benevenuto Cellini. Almadiçoando a prudência e covardia de seu rival, o artista resolveu adiar sua vingança. Mas quando ele viu a porta da casa de Pantasilia se abrir e ela aparecer, correr ao encontro de Pulci, que a enlaçava com ternura, perde a cabeça e, desembainhando a espada, atacou todo o grupo. No primeiro ímpeto feriu Luigi Pulci e dois de seus sequazes; depois encostou-se em uma parede e fez frente aos demais. Pantasilia, louca de terror, voltara para sua residência; populares, que acudiram ao rumor da luta, reconheceram Cellini e atacaram seus adversários a pedra e cacete.

Resultado: Apenas cinco da brilhante escolta lograram fugir; os demais ficaram ali muito maltratados, sendo que Pulci e um dos sicários a seu serviço morreram dos ferimentos recebidos. Á vista disso, as autoridades resolveram agir. Correram á casa de Cellini, mas embora tivessem passado apenas horas apos o terrível conflito, encontraram-no em seu atelier, sem um ferimento, uma contusão sequer, burilando um de seus trabalhos com mão tão firme como a de um homem perfeitamente tranqüilo. Ele negou tudo e como não apareceram testemunhas, que o acusassem e a própria Pantasilia jurasse nada saber, nada pode ser feito conta ele.

 *

Chegou o ano de 1527, Roma foi investida e atacada pelo condestável de Bourbon, que reunira poderoso exercito contra o Papado. O papa Clemente VII pedira o auxilio de Florença; mas as tropas trazidas por Giovannino de Medici entraram na cidade mais como inimigas do que como aliadas; saqueando e praticando distúrbios tais, que o Sumo Pontífice preferiu dispensá-las com irônicos agradecimentos.

E apelou para a própria Roma. Imediatamente Cellini abandonou seus cinzéis para se fazer capitão de uma companhia de voluntários. O papa refugiara-se no castelo de Sto. Ângelo, mediante uma galeria subterrânea, que o ligava ao Vaticano. Sabia precaução, porque as tropas de Bourbon lograram penetrar na cidade; mas o castelo se manteve inexpugnável, graças, em grande parte, á bravura e talentos militares de Cellini, que assumira o comando de uma bateria de canhões.

Sua ação foi tão brilhante que o papa mandou chamá-lo a sua presença para felicitá-lo. O artista ajoelhou-se diante de Sua Santidade e pediu-lhe absolvição pelas mortes que fora obrigado a fazer na defesa da Santa Sé. O papa o absolveu não só desses homicídios como de todos quantos viesse a praticar, no futuro, pela sustentação da Santa Madre Igreja.

Terminada essa luta, graças a um acordo entre o papa e o condestável, Cellini foi com alguns amigos a Florença para atender a diversas encomendas, inclusive a medalha feita para o Sr. Manetti (Hercules em luta com o leão), que é considerada uma de suas obras mais notáveis.

Atingira o apogeu da fama e da fortuna mas de novo seu gênio impulsivo ia alterar seu destino.

Um dia, em Roma, seu irmão Cecchino foi ferido numa rixa por um mosqueteiro chamado Maffio e morreu, após vários dias de atroz sofrimento. Cellini foi procurar Maffio em sua própria casa; encontrou-o á porta e cravou-lhe uma adaga no peito.

Quatro soldados, que assistiram a essa cena, precipitaram-se para ele; o artista abriu caminho a espada e fugiu.

Desta vez o crime fora por demais escandaloso e, para dar um exemplo impressionador, o Papa condenou o assassino a ser enforcado no mesmo lugar em que matara Maffio. Más Cellini já se refugiara em Nápoles, cujas autoridades se recusaram a extraditá-lo.

Em 1534, Clemente VII faleceu e julgando prescrito seu julgamento, o artista voltou a Roma. Infelizmente, no mesmo dia encontrou numa rua deserta um joalheiro de Milão, chamado Pompeu, que era seu inimigo pessoal. Surpresa, troca de insultos, espadas desembainhadas e dois minutos depois Pompeu jazia morto.

No momento, Roma estava demasiadamente preocupada com a eleição do novo papa para dar atenção a esse caso. Mas o concilio elege, com o nome de Paulo III, o cardeal Farnese, cujo filho, Pier Luigi, tem um amigo intimo, noivo de uma filha de Pompeul.

Cellini compreende o perigo e foge para Veneza, mas tendo ai se envolvido em novo conflito, resolve refugiar-se em França. O rei Francisco I acolhe-o como um príncipe, porem Cellini é demasiadamente Italiano para poder viver fora da Itália. Não resiste á nostalgia e volta a Roma, fiado numa promessa formal de que não seria perseguido pelo assassinato de Pompeu.

Mas seus inimigos são implacáveis; de tal modo insistem junto do papa, que este, não podendo faltar a sua palavra com respeito ao assassinato, manda prendê-lo sob a acusação de se haver apoderado de vários objetos preciosos da Igreja durante o saque de Roma.

Ei-lo prisioneiro no castelo de Santo Ângelo, que ele tão bravamente defendera, poucos anos antes. Mas era tal seu prestigio, que o próprio comandante da fortaleza o deixa em liberdade dentro do recinto da praça forte e permite-lhe trabalhar.

Seu julgamento é porem adiado sine die e o papa parece tê-lo esquecido na prisão. Cellini não protesta. Está se aproveitando de sua relativa liberdade para se apoderar de todos os materiais susceptíveis de servir para o fabrico de uma longa corda, que tece secretamente. Uma noite, tendo obtido o comprimento necessário, prende essa corda ás ameias de uma torre e desce por ela.

Alcançando o solo, logrou sair de Roma e refugiar-se em sua cidade natal, onde encontrou a proteção do poderoso Cosme de Medicis e, acalmado pelos perigos muito sérios, que o ameaçavam se caísse nas mãos das autoridades pontificais, ai ficou produzindo primores de arte e escrevendo suas memórias até 1571, data em que morreu aos 71 anos.

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